sábado, 15 de agosto de 2015

FLERTE



Flerto de tão perto (e a esmo)
A loucura e a insanidade.
Que chego, de mim mesmo, sentir uma inexplicável saudade.

Se há amor, eu invento manhãs.
E, suspenso, do alto afugento os tortos cães do pensamento...
E me vou, e me vôo, e me vou.

Flerto de tão perto a demência,
Que mudo a aparência à minha alma dada.
E choro, e  rio, e oro por horas e horas a fio...
De espada.

Flerto de tão perto o absurdo
Que a tudo relativizo.
E diviso, em meu próprio rosto, a mortalha.
E cego, enxergo mudo. E, surdo, para meu desgosto,
No velho espelho da vida,
Pinto o reflexo (suicida) de um novo canalha.

2 comentários:

  1. Belo e denso, o texto me trouxe o mestre Fernando Pessoa. Muito bom, muito mesmo. Parabéns.

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