sexta-feira, 10 de agosto de 2012

PARA FERNANDO PESSOA

Odeio as odes quilométricas,
Patéticas em seu centro de dentro e de fora.
Com suas palavras ao encalço da mente,
Soam como o chato que não vai embora!

Odeio, frente e verso, as poesias imensas,
Seriam mais belas as folhas em branco,
Mais densas no solavanco que propõem,
Mais nobres na afronta que avertem!

Odeio o feio e frio fino fio das rimas
Forçadas de cima para baixo,
Poesia de estupro e estupor...

Odeio cavalgar o burro xucro das palavras
E supor Corcel imaginário, que as asas abre, Unicórnio.
Odeio a química poética de clorofórmio e zinabre!

VOLTA REDONDA, 09 DE NOVEMBRO

O uniforme da Companhia
Ainda tem sangue e poeira.
Ainda me doem na alma os cassetetes,
Os fuzis ainda apontam seus frios olhos pra mim.

Ainda te amo no espaço e no tempo,

Com o calor da aciaria , o aço da mão do Capital que espalma.
Com meus pobres olhos de siderurgia...Te amo no eterno noite-dia-noite-dia...

Ainda te amo com Ordem e Progresso,

Com a desordem dos meus versos e a melodia do meu canto...

Quem me dera te amasse ainda vivo...

Meu coração grevista, morto, tanto chora... tanto!

 Mas, pronto! Eis a hora: que mal te fiz?


Tantas balas cabem em meu peito,

Quanto em meu coração os Brasis.