Amigo leitor, esta coluna pretende-se uma pequena
pausa no veloz ritmo que rotineiramente nos é imposto; um sopro no quente
copinho de café enquanto intui-se um pensamento bobo, qualquer, despretensioso. Nem mais, nem menos.quarta-feira, 19 de agosto de 2015
SALA DE ESPERA
Amigo leitor, esta coluna pretende-se uma pequena
pausa no veloz ritmo que rotineiramente nos é imposto; um sopro no quente
copinho de café enquanto intui-se um pensamento bobo, qualquer, despretensioso. Nem mais, nem menos.HERÓIS ANÔNIMOS
sábado, 15 de agosto de 2015
FLERTE
sábado, 3 de janeiro de 2015
JUNHO EM PIRAÍ
O povo passa e pisa, com desdém, indiferente, as flores
caídas do ipê-amarelo. Pisam o celetista e o estatutário, o optante e o
não-optante. A ARENA e o MDB. Todos pisam e nada exclamam em seu andar
reticente! Triste, pobre primavera com suas flores gratuitas aos olhares ingratos...ACCORDÉON
Ando com a sensação de que nunca mais
encontrarei a canção que nesta primavera perdi. Cantarolei-a algumas poucas vezes.
Bela e simples melodia. E depois... a esqueci! Não como esquecemos os amores
marcantes, mas os flertes sem intenção. sexta-feira, 2 de janeiro de 2015
PLÁGIO
O mar é uma mentira, um plágio,
Um ágil pirata, espadachim a rasgar a vela,
A singrar em mim aquela bela rima...
Que mata.
O mar corsário, único e vário,
Vil e lúdico, pulha e pudico.
O mar mergulha fundo e raso,
No que sonho, no que vazo,
Quando vou ou quando fico.
O mar é uma mentira que há.
Quem tirará o mar de mim?
terça-feira, 21 de outubro de 2014
CORES
terça-feira, 14 de outubro de 2014
ALMA PORTUGUESA
terça-feira, 23 de setembro de 2014
INSONE
Cães ladram, lobos uivam:
sábado, 16 de agosto de 2014
OUTRAS HORAS
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
NAU
sábado, 3 de maio de 2014
HORDAS ANCESTRAIS
terça-feira, 29 de abril de 2014
ESCREVO
sábado, 7 de setembro de 2013
BAGAGEM
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
PARA FERNANDO PESSOA
Odeio as odes quilométricas,Patéticas em seu centro de dentro e de fora.
Com suas palavras ao encalço da mente,
Soam como o chato que não vai embora!
Odeio, frente e verso, as poesias imensas,
Seriam mais belas as folhas em branco,
Mais densas no solavanco que propõem,
Mais nobres na afronta que avertem!
Odeio o feio e frio fino fio das rimas
Forçadas de cima para baixo,
Poesia de estupro e estupor...
Odeio cavalgar o burro xucro das palavras
E supor Corcel imaginário, que as asas abre, Unicórnio.
Odeio a química poética de clorofórmio e zinabre!
VOLTA REDONDA, 09 DE NOVEMBRO
Tem sangue e poeira.Ainda me doem os cassetetes,
Os fuzis ainda apontam pra mim.
Ainda te amo no espaço e no tempo,
Com o calor da aciaria e o aço da mão que espalma.
Ainda te vejo com olhos de siderurgia,
No eterno noite-dia,
E no sem-fim da minha alma.
Ainda te amo com Ordem e Progresso,
Com a desordem dos meus versos e a melodia do meu canto.
Quisera amar-te ainda vivo!
Meu coração grevista, morto, tanto chora, tanto..
Mas, pronto! Eis a hora: que mal te fiz?
Tantas balas cabem em meu peito,
Quanto em meu coração os Brasis.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
SOMBRAS DOS PROFETAS
Sentei-me em frente à Matriz de Santana, encostado numa pilastra do canto. O sol batia em minhas costas e no prédio em frente as sombras das pilastras pareciam-me os Profetas do Aleijadinho.O zelador da Igreja abriu as janelas do coro . Num pensamento bobo fico esperando a Igreja cantar. Bobagem mesmo... Ele retirou das janelas duas casas de marimbondos. O relógio da Igreja marca cinco para as cinco. As sombras começam a envelhecer e a diminuir de tamanho, aproximando-se uma das outras para se unirem numa única profecia.
Escrevo à medida que o sol enfraquece, à medida exata dos sentimentos das coisas. Agora passa um cachorro apressado como se atrasado para um encontro ou como se fosse o Coelho de Alice. Por que os cachorros andam apressados?
De onde estou posso ver a Mata do Amador modificando-se no claro-escuro do sol. Passa um carro justamente quando o relógio bate cinco horas. Atrapalhou-me a ouvir o tempo dizer: Cinco a zero para mim, Saulo!
Agora quem passa é o Sr. Bento. Canta aquele vento frio... As andorinhas pousarão no fio do pára-raios e depois sumirão para o mistério dos seus ninhos. Quando de fato anoitecer, as mariposas terão um encontro marcado em torno da luz.
Uma criança passa cantando uma canção que não sei. Agora já está na Praça, mas a melodia ficou cá em cima para eu aprender.
Quanto não acontece num breve espaço de tempo! As sombras já não mais existem. Perdi outra profecia... Algumas luzes a mais acesas no Asilo e as andorinhas darão lugar às mariposas. Mas eu? A quem darei meus olhos interioranos, meus sentimentos caipiras? Quem velará pelas sombras e saberá do turno das andorinhas e mariposas? Eu que nada sei, volto para casa como o céu rosado sobre a cabeça... Piraí. Como bem diz o seu Hino: "... Pequeno gigante!".
sábado, 28 de julho de 2012
LUAR DE PIRAÍ
Aqui a lua nasce de trás da Cruz, padecer de Cristo.E, de tantas luas que tenho visto,
Só esta nasce para morrer Jesus!
Nasce no Cruzeiro,
Junto aos discos-voadores
E na rota dos aviões...
Nasce no extremo da minha vista,
Finca no solo a bandeira
- como fez o astronauta na conquista -
Como fazem as mulheres nos corações!
Aqui a lua nasce de trás da Cruz, padecer de Cristo.
E, de tantas luas que tenho visto,
Só esta nasce para ver Jesus!
Foto: Alexandre Teixeira, Piraí (RJ).
quinta-feira, 12 de julho de 2012
D. HIA
segunda-feira, 2 de julho de 2012
PONTA DOS PÉS
O SR. FARID E O CÉU
Perdemos
o Sr. Farid... Que pena! Entretanto, o perdemos para Deus: então ganhamos. Sentirei falta de seu inconfundível bom
humor. Ah... O Sr. Farid era o tipo de pessoa que caminhava com um gratuito
sorriso no rosto. Pronto a distribuí-lo generosa e largamente aos transeuntes e
amigos. Era meu leitor. Confessou-me certa vez. Muito me orgulhou!segunda-feira, 25 de junho de 2012
MOINHOS
Bater as asas do moinho.Mói meu coração de brisa que
Sozinho vai ao chão.
Vem você nas águas
Mover as pedras do moinho.
Leva em quedas meu coração sem tempo,
Sem unguento, sem emplastro, sem vastidão.
Vem você escrava
Mover as engrenagens do moinho.
Como refazer-me o caminho das veias,
Se o amor em pó misturou-se ao trigo?
Como, nas ceias, em tua boca encontrar o abrigo?
LÍDICE-ANGRA
A boca do túnel tem sede de mar e curva.Um turvo azul-claro-verde
Que sangra da Serra a poesia.
Eu dei nome aos morros,
Nomes que você não fantasia.
Lá preguei meus olhos na paisagem,
E me embriaguei do colírio que havia... miragem.
A Serra. A serra nem mesmo Serra seria
Se não fossem as letras estreitas,
Sujeitas à poesia e à solidão.
A Serra é o túmulo onde um dia,
Sepultarei o acúmulo da minha alma em versos na vastidão.
PERTO
Longe, no que me tange, existe.É onde mora a felicidade com triste hábito de monge.
Onde tem mangue, mar, rio, serra, campo e deserto.
Longe, no que me tange, é perto.
Longe, no que me tange é ali na esquina.
Na curva do pé de tangerina,
Tangente do coração de Carolina.
Longe, no que me tange, é tenaz.
Não é distância quilométrica, nem futuro incapaz.
Longe inatingível é o que passou,
O tempo que não volta atrás.
É o tormento, o que está antes do muro do nascimento.
É o mugido do boi dos ancestrais.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
VASOS CHEIOS, VASOS VAZIOS
Há uma bela canção do grupo Vencedores por
Cristo que diz: “Enche-me, Espírito, mais
que cheio quero estar. Eu, o menor dos teus vasos, posso muito transbordar.”
A imagem da pequenez que transborda me é simpática. Quantos de nós consideramos
que apenas alguns “grandes vasos” contribuem, fazem a diferença. Não. O menor,
o vaso menor, por não reter tanto para si é capaz de muito transbordar.Seguir, como aquele vaso que sofreu rachaduras, desilusões, tristezas, decepções, e que, no entanto, sai a florir o seu caminho. Agir como o pequeno que transborda o amor que recebe. Encher-se de amor e esvaziar-se em doação e cada vez ficar mais limpo. Mirar-se na cruz Daquele que nos redimiu em seu amor que salva e ressuscitou para nos dar a Verdadeira Vida. Que Deus nos ajude a perseverar!
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
TUDO O QUE SE FAZ OU NÃO ( O AMOR A DEUS)

Salvo engano, é de Madre Tereza de Calcutá a afirmação: “Deus não nos perguntará pelo tanto que nós fizemos; mas por quanto amor colocamos em nossos atos.” Mas, por que falo dessas coisas? Porque Deus é Amor e nós somos feitos à Sua imagem e semelhança! Se a nossa natureza é imagem e semelhança de Deus que é Amor, somos também, em princípio, Amor- respeitadas as limitações da criatura diante do seu Criador - e, apenas no Amor encontramos a razão, a realização e sentido de nossas vidas. Tudo o que se faz com Amor – ainda que não reconhecido pelo outro – não passa sem ser percebido por Deus e ganha ares de eternidade, pois Deus é eterno.
O Mandamento Maior nos fala do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Ensina-nos ainda que, ama a Deus aquele que faz Sua Vontade. E a Sua vontade é que todos cheguem ao Seu conhecimento, à vida eterna. Ora, o ser humano é dotado de inteligência e vontade. Li dia desses um significado atribuído à palavra inteligência: intus legeri – intus como interior; legeri como leitura. Ou seja: inteligente é aquele que empreende uma viagem para dentro de si; aquele que se conhece, que “se lê”, que tem o autoconhecimento. Mergulhe em si mesmo, sobretudo, mergulhe em Deus. Aliás, o batismo é um “mergulho” na Vida Divina.
Vontade é decisão. Para os judeus o órgão do corpo humano referente aos sentimentos não é o coração, e sim o estômago, as vísceras. O coração é o órgão da decisão. Portanto, quando se lê na Bíblia: “Amar a Deus de todo o coração”, entenda-se: decididamente.
Quando Deus – que nos fez - dá-nos o mandamento, a ordem de amar, assim o faz não com o intuito autoritário, “mandão”, e sim de “ordenar” nosso viver para sermos felizes. Amar a Deus e usar as coisas e, não usar a Deus e amar as coisas! Dizem que a gramática do verdadeiro cristão é invertida: ELE, Tu, eu; e não EU, Tu, ele...
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
O NÓ NA GRAVATA DE UM CERTO JOÃO BATISTA

quinta-feira, 10 de novembro de 2011
PIRAHY, 03 DE SETEMBRO
sábado, 17 de setembro de 2011
O HOMEM QUE NÃO DAVA BOM DIA

Lúcio de Mendonça. Fazíamos fila para entrar. Cantávamos hinos. Bandeira hasteada. Desse tempo muitas saudades e, hoje em especial, uma lembrança musical: “Bom dia nada custa ao nosso coração, que bom fazer feliz o nosso irmão! Por Deus se deve amar, amar sem distinção! Alô, bom dia, irmão!” Corrijam-me os contemporâneos a letra da canção. Pois bem. Li uma pequena estória com o seguinte título: “Você age ou reage?” Fala de alguém que sempre agradecia ao jornaleiro e este, impassível, não respondia. Questionado por que continuava a ser educado, respondeu: “Por que não? Por que eu iria deixar que fosse ele quem decidisse como eu devo agir?”.
Eis a chave: agir ou reagir? A maioria de nós reage. E, também na maioria das vezes, desproporcionalmente à ação.
Mas porque tudo isso? Bem, assim como o personagem da estória, havia alguém a quem eu sempre sorria, cumprimentava, dava bom dia e... nada.
Aquilo me incomodava sobremaneira: o que devo ter feito para que aquela pessoa fosse assim comigo? Eu sou muito distraído. Santo Deus! E, de sobra, não enxergo muito bem. Em algum momento, com certeza, de alguma forma eu a ofendi.
Coincidentemente, encontrei-me com ela num elevador e – num “descuido de sua parte” - entendi por que ela não me sorria: seus dentes, ou o que restaram deles. O meu comportamento exigia dela um sorriso que, creio, ela até gostaria de dar, mas que lhe causava constrangimento, suponho.
Como somos inaptos para julgamento! Objetivamente, sob a ótica da Lei, é preciso o julgamento – ainda que este também seja passível de erros. Afinal, faz parte da Justiça absolver, condenar. Entretanto, falo desses “julgamentos subjetivos”, pessoais, que exercemos diariamente sobre os outros e quase nunca sobre nós mesmos. É o que nos fala Jesus: “... com a mesma medida que julgardes sereis julgados... não julgueis para não serdes julgados...”. E nos exorta, aponta-nos um caminho: “... Sede misericordiosos...”.
O homem que não dava bom dia não era avaro de gentilezas, não, creio. Talvez até as tivesse de sobra, abundantemente e as desejasse compartilhar com muitos. Porém...
Atendi esses dias uma senhora que, igualmente, “não dava bom dia”. Lembrei-me das “cáries” de nossa alma. Ela ia falando e eu tentando imaginá-la como uma criança triste que a vida, por um desses motivos mais tristes ainda, roubou-lhe a capacidade de “dar bom dia”, de cantar aquela canção. Imaginei-a na fila do Lúcio de Mendonça, de blusa branca, saia azul marinho, bolso com o brasão do Estado do Rio de Janeiro, balançando as tranças ao ritmo da bandeira acariciada pelo vento, cantarolando. De repente, olha para mim, sorri e diz: bom dia. Diz aquela música na simplicidade dos seus versos: “e a gente, sem saber como e porquê, se sente feliz e sai a cantar uma alegre canção!”.
Grande abraço.


.jpg)







